Caetano Veloso - 1972-Transa

Como pode um disco que não tem hits e composições de força tornar-se a maior obra de um artista e uma das mais emblemáticas de toda a música brasileira? Entre outras perguntas essa fica ecoando quando ouvimos Transa, lançado no período em que o cantor estava exilado em Londres por conta da ditadura militar esse é o segundo registro do baiano na capital inglesa e mostra o flerte da música tradicional brasileira com os elementos pop universais, ligando Beatles e baião, Caymmi e música europeia, Tropicália e reggae recém descoberto nas andanças pela Portobello Road. Cheio de medleys, referências e citações diretas o disco traz entre outras a musicalização de um poema de Gregório de Matos (Triste Bahia) e Mora na filosofia de Monsueto... passeando pelas tradições musicais da sua Bahia natal, inserindo aos poucos atabaque, berimbau de capoeira, samba, canto de roda, candomblé, Caetano junta todas essas referências em um disco praticamente tocado ao vivo. Ladeado por uma turma da pesada, Jards Macalé (violão), Áureo (bateria), Moacir Albuquerque (baixo) e Tutty Moreno (percussão), Caetano deu vida a um disco monumental que ficou gravado na história da música popular, mesmo não tendo a pretensão de assim ser. É o típico disco que não se pode pinçar uma música como hit,... as suas 7 faixas vão se complementando e conferindo sentido como uma obra das artes plásticas. Merece atenção e volume no talo!





















































































































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